Índice do curso aquiVotação sobre "Curso básico de electrónica – por José Flor"Sondagem sobre o seu conhecimento em electrónicaIntrodução á electrónica básica
Parte 14
Calibração do receptor FM e Rádio Auto
IntroduçãoCalibrar um rádio é fazer com que todas as emissoras sintonizadas em toda a escala do rádio tenham a mesmo volume e boa qualidade sonora, assim como selectividade.
FI é a Frequência Intermédia. Todas as estações de rádio que são sintonizadas a uma dada frequências, em FM e em AM passam a uma única frequência com o propósito de simplicidade operacional e com o intuito de facilitar um bom som.
Em
AM, a frequência de sintonia vai de 540KHz a 1600KHz e a
FI é de 455KHz.
Outras FIs em AM
· 455 kHz
· 460 kHz
· 465 kHz
· 470 kHz
· 475 kHz
· 480 kHz
Em
FM, a frequência de sintonia vai de 87,5MHz a 108,0MHz e a
FI é de 10,7MHz.
Outras FIs em FM
· 5.5 MHz
· 98 MHz
Em alguns receptores
superheterodinos, a primeira FI é de
1,6MHz e as restantes são de
470KHz.
Em
televisão, as FIs são de 30Mhz 900MHz.
CalibraçãoPor calibração ou ajuste do receptor entende-se o conjunto metodizado de operações que conduzem à otimização do funcionamento global do aparelho. Como o aparelho é constituído de vários estágios, claro é que o funcionamento global será ótimo se também o for para cada estágio, separadamente. Em sendo assim, a calibração é feita por etapa, em uma seqüência convencional. Esta seqüência, via de regra, é indicada pelo fabricante do aparelho em seus manuais de serviço, quando se trata de aparelhos comerciais de marca conceituada, ou pelos bons fabricantes de conjuntos (kits) para montagem.
Métodos de calibraçãoO ajuste do receptor de FM pode ser conseguido por três processos diferentes: “de ouvido, convencional e visual”.
a) Calibração de ouvido. A calibração de ouvido aproveita o sinal de uma emissora como gerador e o ouvido do técnico como indicador de sensibilidade. Se o método já é bastante precário na calibração de receptores de AM, podemos afirmar que é precaríssimo na calibração de receptores de FM, dadas as altas frequências de operação. Esse processo deve ser evitado. Somente é admitido em caso de impossibilidade total da aplicação dos outros dois e desde que o técnico possua grande técnica.
b) Calibração convencional. O método que denominamos de convencional é aquele que utiliza um gerador de RF com alcance de frequências adequado e um voltímetro eletrônico ou digital como indicador de saída. Este processo de calibração permite o ajuste correto, com pouco trabalho.
c) Calibração visual. O método visual emprega o gerador de rádio frequência e o osciloscópio. É um método bastante sofisticado e, por isso mesmo, mais preciso que o anterior.
Calibração de ouvidoPara que seja possível tentar esse tipo de calibração, é necessário que o aparelho sintonize uma emissora qualquer, embora precariamente. A seqüência é a seguinte:
a) estagio de FI
1º liga-se o aparelho
2º com a antena externa devidamente conectada, gira-se o botão de sintonia, até que seja captada uma emissora qualquer.
3º atua-se nos núcleos de ajuste dos transformadores de FI (frequência intermédia), começando-se pelo último, procurando o maior nível de saída. À medida que o sinal é aumentado, deve-se diminuir o volume.
b) estagio detector
Se, após a prática anterior, o som estiver limpo, ou seja sem distorção, não haverá necessidade de retoque no estágio detector; caso contrario se deverá atuar no núcleo do transformador discriminador ou detector de relação, até que se consiga som não distorcido.
c) estagio de RF
A calibração dos estágios de RF, tanto de antena como oscilador, é bem mais critica, pois as frequências em jogo, agora, são bem superiores a 10,7 MHz, que corresponde à de FI.
1º inicialmente, deve-se verificar se o curso do ponteiro está correto, isto é, se corresponde ao começo e fim da escala com o variável (ou núcleo, no caso de sintonia por permeabilidade) totalmente fechado e totalmente aberto, respectivamente. Se isto não acontecer, retoque a posição do ponteiro.
2º sintonize uma emissora de frequência alta acima de 100 MHz, e observe se a indicação do ponteiro na escala corresponde à frequência de trabalho da emissora. Em caso negativo, atue no “trimmer” (se houver) da etapa osciladora, até conseguir a posição correta da frequência da emissora. Não havendo “trimmer”, é necessário modificar a posição das espiras da bobina osciladora, juntando-as ou afastando-as, de modo a modificar a indutância para mais ou para menos, de acordo com a necessidade. Assim, se a emissora estiver em frequência errada para menos, será necessário diminuir a indutância, afastando ligeiramente as espiras; se estiver errada para mais, far-se-á o contrário.
3º o passo seguinte consiste em sintonizar uma emissora no início da faixa, próximo dos 88 MHz, e observar a indicação do ponteiro. Se esta não coincidir com a frequência real da emissora então o aluno deverá atuar na bobina osciladora, até que isso venha a acontecer.
4º em seguida, proceda ao rastreio da sintonia em toda a faixa, observe se as demais emissoras estão corretamente posicionadas na escala. Isto deve acontecer. Se não, repita as operações anteriores o número de vezes que for necessário.
5º finalmente, aproveite a operação anterior para verificar a sensibilidade do aparelho em toda a faixa. Se esta for deficiente então retoque o estágio de RF através do “trimmer”, para a parte alta da faixa, e da bobina, para a parte baixa. Essa operação também deve ser repetida o número de vezes, necessário para o alinhamento razoável.
Observações:
1- para o ajuste dos “trimmers” e as bobinas deve-se utilizar a chave de calibração não indutiva, ou seja, de plástico ou madeira.
2- este método de calibração, como se afirmou, é precário, requer muita pratica e paciência, e as operações descritas às vezes necessitam de inúmeras repetições, até que se consigam resultados aceitáveis, pelo menos auditivamente.
3- todas as operações anteriormente descritas serão realizadas com o CAF (controle automático de frequência) desligado, desde que o receptor o possua, evidentemente.
José António Flor de Sousa